domingo, 6 de junho de 2010


Vida de casal não é mole


NÃO DÁ PRA SABER direito onde as coisas vão parar em termos de unidade familiar com as mudanças impostas nesses tempos.
_Unidade? Eu disse unidade?
Parece que a palavra de ordem é justamente a fragmentação, o prejuízo do todo em favor do isolamento. Somos desconhecidos dentro das próprias casas, onde cada um tem a sua televisão, seu computador com Internet, seu videogame. Desconhecidos íntimos, que se cruzam casualmente na sala de jantar ou a caminho do banheiro. Dia desses, um amigo fez o seguinte desabafo:
- Eu acho que eu e minha mulher ainda vivemos dentro daquilo que se pode chamar de família. Convivemos sob o mesmo teto, trocamos palavras eventuais e, até onde sei, ainda não devoramos nossas crias.

TÃO DISTANTES ESTAMOS muitas vezes que acontece de pessoas da mesma família se estranharem em situações que antes eram normais. Há dias, numa roda de prosa, alguém contava a história do sujeito que, querendo fugir um pouco da rotina, levou a mulher para jantar num sofisticado restaurante. Lá pelas tantas, depois de um bom vinho, resolveram lembrar os tempos de namoro e passar em um motel. Chegando lá, foram se abraçado e trocando beijos. Quando ela começou a tirar a roupa, ele disse:
- Antes que isso fique mais sério, é bom lembrar que nós dois somos casados...

O QUE MAIS IMPRESSIONA é o conceito de durabilidade dos sentimentos nos dias atuais. Ontem nos contaram a história de um sujeito que segurava as mãos de uma frágil moçoila e se dirigia a ela nesses termos:
- Será que você não entende? Eu te amo, eu preciso muito de você. Eu quero passar o resto... das minhas férias com você!

RELACIONAMENTO ABERTO. O termo já foi mais badalado há alguns anos. Hoje, fala-se pouco a respeito disso, mas certamente com um número cada vez maior de praticantes. Será que é fácil homem e mulher, em comum acordo, viverem casados, mas com total liberdade e independência para cada um fazer o que quiser com quem bem entender? Imagine-se com dez anos de casado, a mulher chegando e dizendo:
- Amor, hoje eu vou ao cinema com o Ivan. Sabe o Ivan, aquele que tem o apelido de Pé de Mesa?

SE A MODA DO RELACIONAMENTO aberto realmente vingar em toda a sua plenitude, dia virá em que ouviremos confissões do tipo:

- O que eu realmente adoro nele é a maneira como nós não nos vemos e não nos falamos.


A frieza dos relacionamentos


Quem é casado sabe: se não tiver jogo de cintura, o relacionamento vai mesmo por água abaixo. E bota jogo de cintura nisso! O próprio Papa já afirmou que o segundo casamento é uma praga, numa espécie de convocação geral para que todo mundo procure manter a primeira união. “Para o Papa é fácil. Ele não é casado”.
Já existe estudo comprovando que os relacionamentos estão se tornando cada vez mais frágeis por causa do ritmo de vida do mundo moderno. Homens e mulheres buscam ocupar seu espaço no mercado de trabalho, passaram a conviver menos e, quando estão juntos, compartilham mais problemas do que qualquer outra coisa. Aos poucos, a vida a dois vai esfriando, esfriando...
Lembra aquela história do sujeito que foi levado ao juiz sob acusação de necrofilia. Havia feito sexo com uma mulher morta. O caso ganhara as páginas dos jornais, além de grande espaço no rádio e na televisão. Houve protestos nas ruas, grande bafafá. O juiz estava indignado:
- Em 20 anos de magistratura, nunca ouvi falar de uma coisa tão nojenta, tão vil e tão baixa. Eu gostaria que o senhor me desse uma única razão para não metê-lo na cadeia e jogar a chave fora!
O homem respondeu:
- Eu vou dar três boas razões.

Primeira: não gosto que se metam na minha vida pessoal.

Segunda: ela era minha esposa.

E terceira: eu não sabia que ela estava morta. Ela sempre agia assim...

Precisamos repensar nossas vidas e nossas relações familiares e amorosas...


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