quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Algumas crônicas que escrevi a muito tempo e resolvi postá-las agora

Brasileiro por um dia!

Há aqui, de fato vários exemplares dessa prolífera espécime, o povo brasileiro- machos e fêmeas- alinhados uns atrás dos outros com certo afado e em razoável desarmonia. Esperando com infinita paciência, que a cobra humana esboçasse algum movimento. Eu me investi na pachorrenta condição de cidadão fila. Não há raiva no rosto destes, apenas estampada a  resignação. Será assim para sempre? Não haverá o dia do soco no balcão, do chute no balde, do berro na fila do ônibus. Enfim a explosão da contida indignação e humilhação? Até quando o populacho aguenta? Nesse momento que escrevo é incerto. A cada três pessoas que cruzo na rua está pelo menos uma seguindo em direção a uma fila, com trajeto sedutor e com sorriso de voluntária submissão. Não é a fila que irrita, é saber que por aqui nunca vai acontecer nada. É horrível a sensação. Mas é um privilégio frequente a fila do ônibus, a  fila da Santa Casa-, a fila do transplante de fígado, enquanto muitos estão na fila dos desempregados. Vocês não sabem o trabalho que dá estar permanentemente vigiando um lugar na fila.

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