Ele não matou por amor: E nem estava fora de si, como sustenta agora seus defensores e amigos. Não foi nada disso. Ele matou por ódio e vingança, numa ação friamente planejada e rigorosamente cumprida. Nada mais que uma execução Cruel, uma absurda penalização. se fosse mesmo por amor, teria reservado uma última bala para seu próprio corpo. Quem mata por amor jamais perdoa-se. Nunca sobrevive. Era ódio. Se fosse amor misturaria seu sangue ao sangue de sua vítima. Ele não estava cego de paixão, como dizem. Tinha os olhos esbugalhados por uma raivosa determinação quando escolheu com calma e precisão o local e momento ideal para com sumação de seu desvario. Sua necessidade irrefreável de punir, eliminar, vingar, não era amor.
Ele não estava fora de si, como garantem seus defensores. Mais do que nunca ele se encontra dentro de si mesmo inteiro, completo, sem retoques. Em seu insuportável sentimento de fracasso e derrota, sua humilhada sensação de perda. Sua revolta de macho incapaz de suportar o abandono e solidão. Poderia ter tomado um porre como se faz nesses momentos, ou procurado um ombro solidário, um amigo. Ou batido no peito e reclamado do coração:" Porque amaste, insensato?" Ou simplesmente sumir no mapa, quieto e triste como fazem os que amam de fato. Mas preferiu permanecer dentro de si mesmo, soberbo, impenetrável, disposto a tudo. Lúcido, senhor de seus atos e raciocínio, nunca esteve tão dentro de si e de seu tolo orgulho, quando ensaiou sua última intimidação, sua máxima arrogância. Foram dois tiros certeiros. Ele não estava fora de si quando se livrou daquele dilacerante estorvo.
Não sei como e onde ele está com tantas liminares e tanto poder das clínicas psiquiátricas facilmente se transformam em confortantes SPAS para predadores importantes. Mas sei que a pobre moça tinha alguns e poucos anos, muitos sonhos, projetos e não teve a menor a chance de escapar ou se defender. Como também não pode se defender agora, quando já começa a ser chamada de traidora, piranha, interesseira, fútil e incompetente. Ele não a amava e ainda não conseguiu esgotar seu enorme rancor. Agora como comumente se faz, ele tenta enxugar as mãos sujas de sangue de sua presa no pano imundo da calúnia e da difamação. Fechado, ele não sai mais de dentro de si. Não bastaram dois tiros certeiros.
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